Que comece o espetáculo,

no entretempo do "es-passo",

tem crianças na praça que ziguezagueiam...sai dali um ruído musical.
Som sem gramática
escapam e
riem cantando...

seres umbilicais

giram para desenrolar.

Para não apagar

o fundo sangue

em praga-dupla-face,

um roteiro de memórias

Quem...da janela assiste?

Alguém da cobertura olha e pergunta: quem é você?

mas é que ali, onde o vento sopra, habita uma queda

e o coração ESP(r)E(i)T(a) entre o lobo o mar revolto.
É o poema do tempo próprio

A viagem para um "sabe-se lá" parece ainda não terminar. Náuseas e Vertigens

que cavam dores do sangue pungente que aprisiona

em segundos infinitos nas cóleras deste tempo.
Des-equilíbrio.
Cortejo para não chorar

E se, bobear,

há necrófilos que

tudo assistem,

agora, pela tela,

essa nova janela

de rima pobre

é cidadã de bem.

como aquele lá,

assistindo quedas

pelo ipho-da-se.

Se vê de tudo.

Há ainda,

além de todo esse pouco,

alguns que velam a morte de quem caiu sem nunca ter subido

É! mas a gente feita de queda tenta outros caminhos...

...é a luz da vela

que revela o final.

Coisas de Brasil.

Alguém deixa

suas lembranças

e salta.
 

De onde um vem

outro vai.

Dois caminhos de um.

Elas, cadentes como

estrela fincam os

chãos nos pés.

e passam a olhar um outro caminho. Seguem (s)em futuro.

Enquanto

escrevem suas

histórias,

encontram mais

perguntas em certezas.

quem será a escolhida?

Vai salvar o mundo da saudade?

há sempre,

independentemente,

um novo dia

para anoitecer e...

...assim o mundo gira. Que comece o espetáculo!

EDITORIAL

Com amor, prazer e perdição, a Revista CIRCUITO chegou à sua edição nº8. Neste tempo construído e nomeado nos rastros de um vírus, cujas organizações e hierarquias foram postas à prova, nos foi (e vem sendo) sentido como o andar de uma bailarina ou um equilibrista na corda bamba esticada entre o céu e a terra. Se esteve mais perto do céu ou da terra, cabe a cada uma e a cada um de nós dizer, perceber ou sentir. O que nos orienta e que intentamos é insistir em uma das características marcantes da CIRCUITO, qual seja; a conexão entre temas, momentos e estéticas. Logo, no entrecruzar dos olhares neste dado momento histórico, não foi difícil nos apropriar da palavra contágio, tão petrificada nos dias atuais. A ideia seria ressignificar, transfigurar e nos livrarmos dessa carga que nos parecia insuportável. Contágio tornou-se, pois, a certeza, quase única, que tínhamos. Pois então... CONTÁGIO! CONTAGIEM-NOS! Passamos a bradar em brechas de respiro! E este feito deu frutos incríveis. Conosco embarcaram 40 artistas e escritor.s que se contagiaram e contagiaram nossas páginas de arte e cultura. Criou-se uma rede de transmissão de ideias, humor, política, visões de mundo, angústia, crítica, retratos e histórias. Algumas destas pessoas trouxeram memórias, outras tentaram imaginar o mundo que vem depois, tarefa nada fácil para o agora. Mas essa rede de transmissão ultrapassou nossa própria rede cultivada pela já tão tradicional forma de chamamento. O que eram obras do chamamento-contágio inicial (ou 1a onda), foram oferecidas a artistas que aceitaram se contagiar e criar suas obras a partir das primeiras. Fez assim a 2a onda com artistas, escritor.s que potencializaram essa propagação a um nível irreversível. E olha, aqui sim foi uma proposital! Um labirinto de sentires se fez e, como nada é como antes, esta edição teve como guia um mapa ramificado no qual cada leitora e leitor pôde se mover entre os mais diferentes contágios e, quiçá, contagiar-se também...deste modo, esta edição traz mais uma experiência para nós editor.s e leitor.s. Parafraseando a quarentena, foram lançados 24 trabalhos (compostos de 1a e 2a onda), um a um, a cada 40 horas. Esperamos que cada um desses trabalhos siga surgindo de forma livre, autônoma e revigorante. São materiais feitos de alívio e grito, escritos nas casas, devires, tocas e fortalezas que, ao olhar pela janela, avistavam um mundo tão nosso até outro dia e que agora reclama pelo re/des-aprender, enquanto trazem mais “perguntas em certezas”. São tessituras que atravessam os tempos e citações de citações de citações ou, se preferirem, de contágio em contágio em contágio que seguem numa profusão de proveniências incontornáveis em que a colagem e o existir se fazem via uma transliteração, uma transmutação e numa linguagem roubada em que, ao final, a autoria se dissolve ou já não mais importa ... Abramos as janelas, desviemo-nos do fascismo, roubemos um dito e deleitemo-nos! São os nossos desejos! 

integram esta edição

Adriana Barochelo 
Alexandra Noronha
Anna Behatriz Azevêdo
Breno Cavalcanti
Camila Thomé
Carlos Andreassa
Carlos Caldas
Danillo Villa
Fabiele Lessa
Felipe Pagliari
Fernando Zanetti
Igor de Matos
Isiely Ayres
Jocelyn Robert
Juliana Malagora
Lara Bottos
Laurence Petitpas
Livia Pelegrini
Luíza Maretto
Lucila Oliveira
Manoela Valerio
Marcos Casadore
Mariana Valerio
Marina Paes
Martin Courcier
Matheus dos Santos
Michele Micha
Priscila Miraz
Priscila Sales
Ricardo Abussafy
Ricardo Bagge
Ricardo Rother
Roberto Andreoni
Sandro Dutra
Sofia Ó
Thaís Gil
Thais Mendes 
Vitor Poltronieri
Wagner Mangueira 
Welynton Ferreira

editores

responsáveis

Carlos Andreassa
Fernando Zanetti
Manoela Valerio
Priscila Sales 
Ricardo Abussafy 

projeto

gráfico

Carlos Andreassa

texto

alinhavador

Carlos Andreassa
Manoela Valerio 

realização